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Era uma vez...

por pauloconde, em 23.02.05

 

25-DE-ABRIL

 

É de crucial importância expurgar os políticos e a politica no nosso país. A ignomínia é de tal modo avassaladora que os cidadãos se alhearam completamente dos direitos e dos deveres cívicos a que estão constitucionalmente vinculados, feridos e defraudados nas expectativas que foram sendo criadas em forma de promessas por meia dúzia de intelectuais que não tendo credo nem passado se passeiam nos corredores da República, apregoando a democracia como se ela fosse cúmplice dos seus actos execráveis e nefastos, sempre em nome da salvação do povo.

Agora, é preciso recuarmos a 1974 para encontrarmos o cerne da nossa ruína, quando um grupo de iluminados decidiu apoderar-se da riqueza de um Estado, amealhada sob os ditames da tirania, mas que era pertença de todos e não só de alguns. Despejaram o mealheiro abastado à custa do suor e sacrifício dos nossos avós, para que os pobres de espírito os idolatrassem e os elevassem ao altar como salvadores do povo. Afinal, tudo não passou de uma simples revolta de meia dúzia de fardados em defesa dos seus interesses, mas cujo descontrolo da operação viria a tornar pública e acabaria por chegar aos ouvidos do povo, tornando-se, ao contrário do que fora arquitectado, numa revolução generalizada, e quem faz revoluções não as exibe, nem se exibe. (...)É uma tirania democrática em que impera a fraude e o escândalo. Aliás, já não existe escândalo que surpreenda(...).

 

 

Paulo Conde - Diário de Noticias - 2005

 

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publicado às 13:00


Recordar Herminia Silva

por pauloconde, em 07.06.04

 

   

 

É sempre gratificante falar de fado, sobretudo quando nos imiscuímos nas suas raízes, quando o fado deixa de ser simplesmente a canção mais representativa do sentimento português e atravessa a complexidade da alma dos que o vivem, daqueles para quem o fado é uma forma de vida, sem aprumos de circunstância nem vaidades mascaradas, mas apenas um acto tão natural e tão reflexo como o pulsar do coração.

É de alguém assim que me apraz falar. Vítor Duarte, neto de Alfredo Marceneiro, alguém por quem nutro carinho e admiração, companheiro na investigação do fado, o qual, após ter perpetuado em livro o saudoso interprete e compositor Alfredo Duarte Marceneiro, brinda-nos agora com um “Recordar Hermínia Silva”, absolutamente oportuno, pecando por tardio, já que a interprete mais castiça da história recente do fado, há muito era merecedora de um tributo para que a memória não esqueça.

“…Era dotada de um dom especial, que só muito poucos têm, de cantar e representar muito bem, era um representar que não se estuda no «Conservatório», com a sua voz bem castiça, dava um cunho muito pessoal às suas interpretações que deliciavam a quem a escutava, quer no fado tradicional, quer no fado revisteiro, mas na revista para além de cantar interpretou figuras e «meteu buchas» que fizeram o delírio de milhares de espectadores…”

É com esta sinopse que o investigador dá inicio às mais de duzentas páginas a retratar uma mulher de diversas facetas artísticas, sempre ligadas ao fado, os seus poetas, os seus músicos e as saborosas entrevistas da senhora da “Velha tendinha” permitem-nos confirmar que o segredo da sua arte e do seu talento estavam no talento da sua arte, imune a encostos acolhedores ou sombras confortáveis.

Obrigado ao autor por esta pertinente obra, principalmente porque o fado é um estado de alma, como certeiramente o definiu Vítor Duarte.

  

 

Paulo Conde - Diário de Noticias - 2004

 

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publicado às 14:05


Sentido de Estado

por pauloconde, em 06.08.03

O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, ao vetar a alteração à lei-quadro que permitia a ascensão de Fátima e Canas de Senhorim a concelho demonstrou, não só um enorme sentido de estado, mas também uma respeitável coerência, algo que os pseudo-politicos de hoje não têm.

A proposta de lei, que o pior governo democrático eleito até à data pretende fazer passar, não é mais que atentatória e lesiva do direito constitucional, descriminando os cidadãos e elaborada em “cima do joelho” à medida das irresponsáveis promessas eleitorais e dos caprichos de um primeiro-ministro que nunca o deveria ter sido, pautando-se em todo o trajecto político pela incoerência e demagogia. Resta-nos aguardar que a história se encarregue de o demonstrar e que o Dr. Jorge Sampaio vá fazendo prevalecer o sentido de estado à ignomínia politica.

 

 

Paulo Conde - Correio da Manhã; A Capital; Diário de Noticias - 2003

 

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publicado às 12:36


Só com segurança haverá democracia

por pauloconde, em 24.05.03

Um destes dias, sentado a uma mesa de café com alguns reformados (sempre tive curiosidade em ouvir os mais idosos), escutei algo de muito pertinente tendo em conta o actual panorama da sociedade portuguesa.
Diziam estes sábios, formados na escola da vida, que a sociedade dos nossos dias é uma pouca-vergonha, já não há respeito por ninguém, nem o mínimo de segurança para qualquer cidadão circular livremente.
Até aqui, se retirarmos aqueles que só têm vista p’ra fingir que não são cegos , não é nada que qualquer português minimamente interessado e atento ao que por cá se vai passando, não concorde.
Impávido fiquei, quando um dos reformados faz a seguinte afirmação:
- “ Do que isto precisava não era de um Salazar, mas de dez iguais a ele para pôr toda esta malandragem na ordem. Sofri na pele o seu regime, lutei contra ele de cravo na lapela, mas hoje isto ainda está pior”.
Afirmação a que os outros aquiesceram!
Eu que nunca conheci tal figura a que se referira o dito reformado, senão dos manuais de História de Portugal e que na altura da revolução dos cravos frequentava o ensino primário, obviamente não podia nem deveria fazer quaisquer juízos de valor e limitei-me a escutar. Porém, afirmo com forte convicção que, sem Respeito nem Segurança, nunca poderão existir Liberdade e Democracia!

  

 

Paulo Conde - Correio da Manhã; Diário de Noticias; A Capital - 2003

 

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publicado às 15:07


Afinal onde está a crise?

por pauloconde, em 19.02.03

Caros concidadãos, quem disse que Portugal está em crise? Quem é que neste momento é capaz de proferir tal calúnia?

Com apenas três exemplos, demonstra-se facilmente que a tese de crise não tem qualquer fundamento, senão vejamos:

1º - O país é um dos maiores produtores de leite, que se dá ao luxo de ser multado por produzir demais, esquecendo-se que tem de consumir algum deste precioso liquido, aos pobres irmãos europeus. É bem feito, há que instruir as “senhoras vacas” a não darem tanto leite.

2º - A “Desemprego S.A”, uma das maiores empresas nacionais, que neste momento já ultrapassou largamente os trezentos mil funcionários, prepara-se para até final do ano aumentar os seus quadros, tendo inclusivamente tomado medidas para regularizar os salários em atraso. Aqui está uma prova de investimento na mão-de-obra nacional.

3º - Por fim, vão finalmente ser aumentados os militares, é pena que seja só 30% mas é melhor que nada, não vá o boato de crise tornar-se verdade e depois quem tem armas é que manda!

 

Paulo Conde - A Capital; Correio da Manhã; Diário de Noticias 2003

 

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publicado às 13:57


Tentar perceber o Sr. Sarsfield Cabral

por pauloconde, em 30.12.02

Meu caro DN, no passado dia 17 de Dezembro foi com relativa facilidade que percebi os “Arcaismos” do Sr. Sarsfield Cabral. Nem sequer perdi muito tempo, a tentar perceber que o cronista, a julgar pelas suas palavras, não é trabalhador por conta de outrem, nem tão pouco estará submetido aos ditames do “aperta o cinto”, esquecendo-se ou não querendo ver, que o verdadeiro problema da economia portuguesa, tem origem nos muitos empresários que investem os lucros nas suas contas pessoais, ao invés de os aplicarem nas próprias empresas.

Já no que diz respeito a greves, o dito senhor, deveria tentar perceber que a mesma legitimidade democrática que elegeu o actual (des)governo é a mesma que rege o direito à greve.

O Sr. Sarsfield Cabral ainda não tentou ou não quis perceber, que se todos os cidadãos que não estão de acordo com a legitimidade de uma qualquer greve, têm que “gramar” com os seus efeitos, é porque existem outros cidadãos que não tendo votado no actual (des)governo têm que “gramar” as suas decisões.

Mais adianto estar convicto que, o ilustre cronista um dia irá perceber, que o sistema ideal para nos governar, não será decerto nenhum dos que ele mencionou ( Capitalismo, Comunismo ou Socialismo ) mas sim a Solidariedade.

Talvez fosse de bom tom, que o Sr. Sarsfiel Cabral aproveitasse esta quadra simbólica, para tentar perceber que nem tudo na vida são cifrões.

A todos, os votos do melhor Natal possivel.

 

 

Paulo Conde - Diário de Noticias, 2002

 

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publicado às 14:57


Carta aberta ao ministro Bagão Félix

por pauloconde, em 30.08.02

Ávido de curiosidade, debrucei-me sobre a mais recente proposta de alteração ao Código do Trabalho da autoria de V. Exa. E na vasta panóplia de meticulosas e cirurgicas alterações, permiti-me destacar três, em relação às quais se me afloraram algumas interrogações.

A primeira diz respeito às baixas. Propôe V. Exa  a possibilidade de fiscalização das situações de doença através de médico designado pelo empregador, com direito a despedimento por justa causa em caso de fraude.

E eu pergunto-lhe, porque não outro médico designado pela Segurança Social? Ou terá que ser um conhecido da entidade patronal? Mais ainda, porque não enviar logo o suspeito para uma junta médica?

Atrevo-me a sugerir a última, já que abria a possibilidade de existir votação o que lhe atribuia um estatuto verdadeiramente democrático.

Depois, debrucei-me naquela que talvez seja a mais mediática, os feriados.

Sugere o Sr. Ministro que os feriados obrigatórios possam ser gozados na segunda-feira da semana subsequente, à excepção do Domingo de Páscoa, Primeiro de Maio e Natal.

Pois bem, tratando-se da medida que tem como finalidade acabar com as pontes na função pública, o Sr. Ministro poderia ter-se quedado apenas, pela não autorização das mesmas, mas não, foi muito mais longe e com isso causou-me algumas dúvidas. Para não citar diversos exemplos e me alongar muito, diga-me V. Exa, quando é que os cidadãos irão poder desfrutar do dia de Ano Novo?

Eu alvitro que se comemore a passagem de ano, só lá para o dia 5 ou 6 de Janeiro, é que para além de quebrar a rotina, ao fim duns anos, estaremos todos uns dias mais novos. Bem pensado Sr. Ministro, um elixir da juventude!

A ultima que eu destaco, refere-se ao horário laboral, que poderá ser de 50 horas semanais e 10 diárias, desde que a média calculada durante 4 meses seja de 8 horas diárias ( parece um passatempo!!! ), segundo a proposta de V. Exa.

Ora, se bem me lembro, o Sr. Ministro em relação a este ponto, acrescentou a necessidade de combater a falta de produtividade dos portugueses. Que mau exemplo!

Deixe-me que lhe lembre, que o pais mais produtivo da União Europeia é o Luxemburgo, quando 70% da sua mão-de-obra são portugueses. Como? É simples. O ordenado minimo cifra-se nos 3000 Euros.

É por mais óbvio, que esta medida servirá apenas para fragilizar as relações laborais e incentivar cada vez mais o aparecimento de esquemas que permitem a fuga aos impostos e às contribuições para a Segurança Social.

Sr. Ministro, em matéria de salários não podemos ficar “orgulhosamente sós”, mais ainda, se V. Exa aceder em trabalhar 10 horas por dia e auferir um rendimento mensal de 350 Euros, para bem da produtividade, conte comigo para o acompanhar.

Quanto á globalidade da proposta apresentada por V. Exa, em relação à qual espero que o bom senso não a aprove, resta-me dizer-lhe o seguinte.

Não nos queira fazer crer, que os nossos governantes sejam obrigados a utilizar largamente a mentira e o logro para bem dos governados, como afirmou um dia Sócrates. Não Sr. Ministro, não é o Sócrates futebolista brasileiro, é o filósofo da Grécia Antiga!

 

 

Paulo Conde - Diário de Noticias - 2002

 

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publicado às 15:32


€urocrisia

por pauloconde, em 09.01.02

 

Com a entrada em 2002, conclui-se mais uma etapa na dissolução da nossa identidade.
Após o aniquilamento da produção nacional, atraiçoamos o escudo, e no futuro, perante estes precedentes, enterraremos a língua, o hino e a bandeira para bem do federalismo. Aliás, neste momento, após a entrada em circulação da nova moeda, o escudo na bandeira nacional deixa de fazer sentido.
Em face desta ultima moda, o custo de vida já foi inflacionado ( ajustamento de preços ) e a qualidade de vida continua de rastos, em relação aos parceiros europeus, que ao contrário de Portugal, primeiro arrumaram a casa.
Mas enfim, ganhámos o estatuto de eurodependentes e porque dizem que o euro é “milagreiro”, as peregrinações num futuro próximo, irão ter como destino – Bruxelas!
Inicia-se assim, mais um capitulo da hipocrisia democrática, onde pouco ou nada se escolhe e tudo nos é imposto.
Simbolicamente, já que tal “benesse” foi concedida, usarei o escudo até ao ultimo dia da sua vida, só porque ainda me curvo perante a bandeira das “quinas” e na minha casa, por enquanto, ainda só entra quem eu quero!

 

  

Paulo Conde - Correio da Manhã; A Capital; Diário de Noticias 2002

 

 

 

 

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publicado às 17:55


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