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Tentar perceber o Sr. Sarsfield Cabral

por pauloconde, em 30.12.02

Meu caro DN, no passado dia 17 de Dezembro foi com relativa facilidade que percebi os “Arcaismos” do Sr. Sarsfield Cabral. Nem sequer perdi muito tempo, a tentar perceber que o cronista, a julgar pelas suas palavras, não é trabalhador por conta de outrem, nem tão pouco estará submetido aos ditames do “aperta o cinto”, esquecendo-se ou não querendo ver, que o verdadeiro problema da economia portuguesa, tem origem nos muitos empresários que investem os lucros nas suas contas pessoais, ao invés de os aplicarem nas próprias empresas.

Já no que diz respeito a greves, o dito senhor, deveria tentar perceber que a mesma legitimidade democrática que elegeu o actual (des)governo é a mesma que rege o direito à greve.

O Sr. Sarsfield Cabral ainda não tentou ou não quis perceber, que se todos os cidadãos que não estão de acordo com a legitimidade de uma qualquer greve, têm que “gramar” com os seus efeitos, é porque existem outros cidadãos que não tendo votado no actual (des)governo têm que “gramar” as suas decisões.

Mais adianto estar convicto que, o ilustre cronista um dia irá perceber, que o sistema ideal para nos governar, não será decerto nenhum dos que ele mencionou ( Capitalismo, Comunismo ou Socialismo ) mas sim a Solidariedade.

Talvez fosse de bom tom, que o Sr. Sarsfiel Cabral aproveitasse esta quadra simbólica, para tentar perceber que nem tudo na vida são cifrões.

A todos, os votos do melhor Natal possivel.

 

 

Paulo Conde - Diário de Noticias, 2002

 

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publicado às 14:57


Não chamem nomes ao fado

por pauloconde, em 15.10.02

É de louvar a iniciativa denominada “Histórias do fado” levada a cabo pelo jornal A Capital que suscitará decerto, o interesse de muitos e esclarecerá dúvidas de outros em relação à canção nacional.

No entanto, parecem-me permentes, algumas considerações cujo teor, embora isento de pormenores, não pode nem deve ser ignorado, sob pena do fado cair numa modorra febril.

Quando alguém imiscuido no meio fadista, afirma que nos ultimos anos se tem assistido a uma renovação nas letras e nos poemas de fado, é bom que se saiba, que hoje em dia, escasseiam os letristas e poetas populares a escreverem com qualidade para o fado. Nem sequer se pode entender como renovação, o facto de se cantarem poemas do Camões ou do Pessoa, já que estes nunca escreveram para o fado.

O que aconteceu, é que alguns que se intitulam fadistas, ( Há quem afine a garganta / p’ra que alguém por faia o tome, / mas o fado que ele canta / de fado, só tem o nome. ) aproveitaram-se da incursão de Amália pelos poetas eruditos, para com isso atingirem alguma notoriedade e disfarçarem assim as diversas lacunas artisticas, esquecendo-se porém, que a diva do fado, não necessitou de cantar poetas universitários para se notabilizar. O talento nato da grande Amália afirmou-se, interpretando letras de Linhares Barbosa, Gabriel de Oliveira, Carlos Conde, Armando Neves ou Silva Tavares, alguns dos poetas da escola da vida.

Era a época em que estes letristas, estendiam a mão aos que hoje os criticam, esqueceram o berço, não tinham pão e hoje cospem na sopa.

É por isso, que nunca o fado, como hoje, teve uma estética e uma ética tão pobres, mercê de gente que se vangloria de ter dado a volta ao fado, o que não deixa de ser uma torpe presunção.

Felizmente, embora raros, despontam novos interpretes, que respeitam o fado como canção intimamente popular, interpretando repertórios populares, que qualquer cidadão menos letrado compreende, permitindo assim uma maior comunhão entre o público e o fadista.

É que o poeta popular, no fado, está acima de qualquer outro, não só porque respeita rimas e métricas e não usa todo o vocabulário, mas acima de tudo ( ao contrário dos que sem qualquer talento nato se obrigaram a ser poetas ) aprendeu a escrever na universidade da vida.

Conclui-se assim, que os que se dizem renovadores, não são mais que sombras ténues daquilo que se intitulam, em relação aos quais, o fado e o tempo se encarregarão de apagar da história. Até se podem reunir no CCB, ridicularizarem-se com o “fado-jazz”, mas façam um favor ao país; Não chamem nomes ao fado!

  

 

Paulo Conde - A Capital - 2002

 

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publicado às 14:30


Onde estão as normas dos CTT ?

por pauloconde, em 19.09.02

No dia 10 do corrente mês, dirigi-me à estação dos CTT da minha área de residência, no intuito de efectuar o chamado pagamento a terceiros, prática aliás, que faço mensalmente. A quantia a liquidar no Aviso/Recibo era de 303,49€. Por necessidades inerentes à gestão das minhas finanças pessoais, entreguei na referida estação de correios, para liquidação da respectiva quantia, um cheque no valor de 291,34€ e os restantes 12,15€ em moeda.

Indignado fiquei, quando o chefe desta entidade pública recusou esta forma de pagamento, justificando que tal prática não era aceite, escusando-se a fundamentar esta estranha recusa, quando lhe foi solicitado que facultasse o artigo ou norma que legitima tal atitude,  limitando-se a dar verbalmente, justificações inócuas sem qualquer base legal ou normativa.

Apercebi-me apenas, pelas suas parcas palavras, que esta suspeita recusa, tende fundamentalmente, a evitar possiveis devoluções de cheques sem provisão. Um estranho argumento que, não só engrandece o vazio da explicação, como também levanta prematuras suspeitas, sob os cidadãos contribuintes, que neste caso, mercê do pagamento de impostos, são também a entidade patronal.

Manda a ética profissional, que os responsáveis pelas instituições de serviço público, prestem para além de um digno serviço, fundamentados e transparentes esclarecimentos, que lhes sejam solicitados. Neste caso concreto, sobressaiu uma questão:

Onde estão as normas dos CTT ?

 

 

Paulo Conde - Jornal Vale do Tejo - 2002

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publicado às 12:29


Carta aberta ao ministro Bagão Félix

por pauloconde, em 30.08.02

Ávido de curiosidade, debrucei-me sobre a mais recente proposta de alteração ao Código do Trabalho da autoria de V. Exa. E na vasta panóplia de meticulosas e cirurgicas alterações, permiti-me destacar três, em relação às quais se me afloraram algumas interrogações.

A primeira diz respeito às baixas. Propôe V. Exa  a possibilidade de fiscalização das situações de doença através de médico designado pelo empregador, com direito a despedimento por justa causa em caso de fraude.

E eu pergunto-lhe, porque não outro médico designado pela Segurança Social? Ou terá que ser um conhecido da entidade patronal? Mais ainda, porque não enviar logo o suspeito para uma junta médica?

Atrevo-me a sugerir a última, já que abria a possibilidade de existir votação o que lhe atribuia um estatuto verdadeiramente democrático.

Depois, debrucei-me naquela que talvez seja a mais mediática, os feriados.

Sugere o Sr. Ministro que os feriados obrigatórios possam ser gozados na segunda-feira da semana subsequente, à excepção do Domingo de Páscoa, Primeiro de Maio e Natal.

Pois bem, tratando-se da medida que tem como finalidade acabar com as pontes na função pública, o Sr. Ministro poderia ter-se quedado apenas, pela não autorização das mesmas, mas não, foi muito mais longe e com isso causou-me algumas dúvidas. Para não citar diversos exemplos e me alongar muito, diga-me V. Exa, quando é que os cidadãos irão poder desfrutar do dia de Ano Novo?

Eu alvitro que se comemore a passagem de ano, só lá para o dia 5 ou 6 de Janeiro, é que para além de quebrar a rotina, ao fim duns anos, estaremos todos uns dias mais novos. Bem pensado Sr. Ministro, um elixir da juventude!

A ultima que eu destaco, refere-se ao horário laboral, que poderá ser de 50 horas semanais e 10 diárias, desde que a média calculada durante 4 meses seja de 8 horas diárias ( parece um passatempo!!! ), segundo a proposta de V. Exa.

Ora, se bem me lembro, o Sr. Ministro em relação a este ponto, acrescentou a necessidade de combater a falta de produtividade dos portugueses. Que mau exemplo!

Deixe-me que lhe lembre, que o pais mais produtivo da União Europeia é o Luxemburgo, quando 70% da sua mão-de-obra são portugueses. Como? É simples. O ordenado minimo cifra-se nos 3000 Euros.

É por mais óbvio, que esta medida servirá apenas para fragilizar as relações laborais e incentivar cada vez mais o aparecimento de esquemas que permitem a fuga aos impostos e às contribuições para a Segurança Social.

Sr. Ministro, em matéria de salários não podemos ficar “orgulhosamente sós”, mais ainda, se V. Exa aceder em trabalhar 10 horas por dia e auferir um rendimento mensal de 350 Euros, para bem da produtividade, conte comigo para o acompanhar.

Quanto á globalidade da proposta apresentada por V. Exa, em relação à qual espero que o bom senso não a aprove, resta-me dizer-lhe o seguinte.

Não nos queira fazer crer, que os nossos governantes sejam obrigados a utilizar largamente a mentira e o logro para bem dos governados, como afirmou um dia Sócrates. Não Sr. Ministro, não é o Sócrates futebolista brasileiro, é o filósofo da Grécia Antiga!

 

 

Paulo Conde - Diário de Noticias - 2002

 

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publicado às 15:32


Governo, promessas e contradições

por pauloconde, em 17.07.02

Eu já acreditava em quase tudo, mas desde o momento em que vejo um senhor, que outrora embandeirava as cores do MRPP, a defender no governo as cores do Dr. Sá Carneiro, coadjuvado por um jornalista, que, passe a expressão, fez a “folha” ao Prof. Cavaco, passei a acreditar em tudo, mais ainda, leva-me a concluir que a coerência deixou de ser um principio para passar a ser uma conveniência.

Perante tal absurdo, a triste promessa da senhora das finanças em baixar o IVA de 19 para 17 por cento até 2004 ( cumprindo assim a promessa eleitoral de baixar os impostos ) e a recente falta de coragem e de sentido politico em relação a Barrancos, não alterando nem fazendo cumprir a lei, mas sim, abrindo uma excepção para os touros de morte criando duas classes de sanguinários, os de 1ª e os de 2ª, perante tal absurdo, dizia eu, tudo o resto é irrelevante.

Por enquanto as portas ainda duram, mas já começam a abrir fendas e quando racharem de vez, não haverá quem aguente tanta corrente de ar nos corredores do Parlamento.

 

 

Paulo Conde - Correio da Manhã; A Capital - 2002

 

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publicado às 13:46

Em consequência das afirmações do ministro da Saúde a diversos orgãos de comunicação social, cumpre-me, enquanto cidadão, tecer as seguintes considerações: Continuam a falecer, devido a meningite, inocentes crianças, sem que o Governo esboce algo para o evitar. As justificações do ministro que têm vindo a público são, no minimo, irresponsáveis, senão vejamos. Afirma que a prevenção desta doença, através de vacina gratuita, custaria ao Estado, qualquer coisa como 7 milhões de contos. Até aqui, nada a dizer. Grave é a argumentação para a não aplicação imediata desta verba na prevenção de possíveis casos mortais. Profere o sr. misnistro que não é lícito, subtrair verbas aplicadas noutras prevenções de similar importância e gravidade, em prol do actual surto de meningite. Com o devido respeito, não queira "cegar" o povo. É óbvio que não será essa a solução a adoptar, até porque ninguém escolhe as doenças. Apenas se pretende, que o Estado, de uma vez por todas, deixe de "enterrar" o dinheiro dos contribuintes em megaprojectos, abdique um pouco da luxúria e despesismo e garanto-lhe, sr. ministro, que o dinheiro aplicado nos "buracos" da Expo e do Euro 2004 dariam para vacinar todas as crianças portuguesas, contra esta e outras enfermidades. Lembre-se que neste preciso momento, algures em Portugal, poderá estar a falecer outra criança, só porque o Governo do país onde nasceu, não sabe gerir o dinheiro dos seus contribuintes. Sr. ministro, caso esteja interessado, ainda está a tempo de salvar algumas vidas. Lembre-se que um país que não cuida da saúde das suas crianças é um país sem futuro!

 

 

Paulo Conde - Correio da Manhã - 2002

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publicado às 12:55


€urocrisia

por pauloconde, em 09.01.02

 

Com a entrada em 2002, conclui-se mais uma etapa na dissolução da nossa identidade.
Após o aniquilamento da produção nacional, atraiçoamos o escudo, e no futuro, perante estes precedentes, enterraremos a língua, o hino e a bandeira para bem do federalismo. Aliás, neste momento, após a entrada em circulação da nova moeda, o escudo na bandeira nacional deixa de fazer sentido.
Em face desta ultima moda, o custo de vida já foi inflacionado ( ajustamento de preços ) e a qualidade de vida continua de rastos, em relação aos parceiros europeus, que ao contrário de Portugal, primeiro arrumaram a casa.
Mas enfim, ganhámos o estatuto de eurodependentes e porque dizem que o euro é “milagreiro”, as peregrinações num futuro próximo, irão ter como destino – Bruxelas!
Inicia-se assim, mais um capitulo da hipocrisia democrática, onde pouco ou nada se escolhe e tudo nos é imposto.
Simbolicamente, já que tal “benesse” foi concedida, usarei o escudo até ao ultimo dia da sua vida, só porque ainda me curvo perante a bandeira das “quinas” e na minha casa, por enquanto, ainda só entra quem eu quero!

 

  

Paulo Conde - Correio da Manhã; A Capital; Diário de Noticias 2002

 

 

 

 

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publicado às 17:55


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